Blog do Fabiano Vale

terça-feira, março 06, 2007

Azia

Puta que pariu!

O meu estômago queima,

se contorce todo,

louco, desvairado,

Como borós lutando na poça

Deixada pelo caminhão do lixo.


quinta-feira, janeiro 18, 2007

Consórcio


Antes cômico se não fosse trágico. Mas, pra mim, todo consórcio acaba sempre em buraco. A ordem dos tratores altera o túnel. Tem coisas que parecem óbvias, previsíveis. No entanto, a gente sempre teima em seguir pelo caminho errado. Quem nunca perdeu o chão após cometer um deslize. Uma simples conversa na barbearia despenca para outros sentidos sem o devido cuidado. Bum! Um corte.
- Mas que buraco, hem!
- Pois é! queda de bicicleta.
- Mas não foi um microônibus?
- ... acho que nesse caso aí... foi negligência: a galera não já tinha percebido as rechaduras no túnel? É foda!
- Tá mais pra fossa.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Considerações sobre o artista

"O artista deve buscar-se a si mesmo no labirinto da obra até encontrar-se e ser o seu único assunto. Mas, num artista, eu é o mais impessoal dos pronomes - mero esconderijo da mentira, metáfora, máscara, estilhaço de um mito".
Lêdo Ivo
O discuro do eu-lírico (da mesma forma é o da literatura) radicaliza ao máximo este próprio discurso, maximizando as tensões da linguagem. Toda poesia tem sede e fome de caos; procura matar-se; é emolação; é fuga da morte em vida; é nada e tudo ao mesmo tempo - em um só tempo.
No campo da literatura (da mesma forma é na/o poesia/poema) tudo é possível, até o impossível.

domingo, janeiro 29, 2006

O Intelectual Memorizador

Em minhas andanças pelo mundo da leitura, deparei-me com um grande achado fraseológico. A descoberta foi realizada em um texto do maior escritor-pedagogo do Brasil: Paulo Freire, in: Pedagogia da Autonomia. Neste livro, o educador faz apontamentos e análises sobre os "saberes fundantes" necessários à uma formação docente crítica e, por conseguinte, libertadora. Porém, o que desejo ressaltar é a definição do "intelectual memorizador" feita por ele.Segue-se, então, a frase: "O intelectual memorizador , que lê horas a fio, domesticando-se ao texto temeroso de arricar-se, fala de suas leituras quase como se estivesse recitando-as de memória - não percebe, quando realmente existe, nenhuma relação entre o que leu e o que vem ocorrendo no seu país, na sua cidade, no seu bairro". p.27
Cabe a nós fazermos a opção ideológica acerca do que escrevemos. O que é inaceitável para o artista, o intelectual e o escritor (também artista) é parcialidade diante daquilo demasiadamente humano, sem assumir uma posição perante a vida.